Em sua visita ao Brasil, cartunista participou de diversos eventos e explicou porque cidades que priorizam bicicletas e transporte público são melhores que as dominadas por automóveis

Por Marina Berhorn de Pinho

No começo de março, o cartunista americano Andy Singer veio ao Brasil, convidado pela Fundação Rosa Luxemburgo, para promover o lançamento de seu livro CARtoons – atropelando a ditadura do automóvel. Durante a sua estadia no país, o cartunista participou de eventos em São Paulo e em Salvador.

Veja a programação completa das atividades públicas e vídeo com registro da visita:

No lançamento do livro em São Paulo, que reuniu dezenas de ciclistas na Fundação Rosa Luxemburgo em Pinheiros, Singer explicou os diversos motivos pelos quais abomina carros. Um deles é o fato de automóveis serem fechados, impedindo contato com mundo. “Os carros nos isolam das outras pessoas. Quando andamos, pedalamos ou usamos o transporte público para algum lugar vemos e falamos com diferentes pessoas”, contou Singer.

Outro motivo que o americano citou é a grande poluição causada pelos automóveis. Essa poluição, explicou, não é só o que sai pelo escapamento mas também o pó dos pneus. O pó dos pneus é composto por partículas de pneus e discos de freios que preenchem o ar ao redor de avenidas, e é muito nocivo aos pulmões. “Os carros também poluem nossa água por meio de vazamentos de tanques de gasolina e de óleo. Carros e rodovias estão entre os principais causadores do efeito estufa!”, relatou Singer, argumentando que 40% das emissões causadoras do efeito estufa produzidas pelos carros não vêm do escapamento dos veículos e sim da produção dos automóveis.

Racismo e machismo no cicloativismo

Em Salvador, Singer também participou em 13 de março do evento “Carrocracia e racismo” na Casa La Frida (assista ao vídeo na íntegra). O coletivo La Frida é uma organização de cicloativistas negras que veem a bicicleta como ferramenta para a emancipação das mulheres. Elas organizam o projeto “Preta, vem de bike” que dá aulas de ciclismo para mulheres da periferia. Na Casa La Frida, localizada no Beco da Agonia em  Salvador, mulheres também têm acesso a uma oficina de bicicleta, um bicicletário, um espaço para reuniões e uma cafeteria.

Apesar de carrocracia e racismo parecerem dois assuntos com pouca ligação, eles não são: “o debate sobre cicloativismo precisa passar por uma intersecção de raça, de classe e de gênero”, disse Christiane Gomes da Fundação Rosa Luxemburgo. Ela defendeu que só assim esse debate pode se politizar, saindo do circuito masculino e branco em que muitas vezes acaba restrito.

Leia também: Um negro Fórum em uma negra cidade, por Christiane Gomes

No evento, o americano teve uma conversa com a ativista Jamile Santana sobre a cultura automobilística, o racismo e o machismo. “É complicado eu chegar aqui e falar sobre o cicloativismo. É necessário, é fundamental, mas é muito complicado eu falar de cicloativismo sem fazer o recorte racial e de gênero, pois ainda somos poucas nesse espaço”, destacou Santana.

Ela também contou da difícil situação passada por mulheres quilombolas em Salvador. Muitas dessas mulheres negras e pobres precisam andar quilômetros para chegar a um transporte publico, e ainda usar esse transporte para chegar à feira. “Se tivesse a facilidade de a gente conseguir a implementação de bicicletas e bicicletários, de conseguir estimular o uso de bicicletas nesses espaços, seria de extrema importância”, defendeu a ativista.

Jamile Santana e Andy Singer

Jamile Santana e Andy Singer

Carros versus transporte público

No Brasil, a estimativa é de mais de 40.000 mortes em ocorrências com veículos por ano. Segundo dados do Observatório Nacional de Segurança Viária citados em reportagem da Folha de S. Paulo, o prejuízo é de R$ 56 bilhões por ano para o estado. Esse foi um dos assuntos discutidos no segundo lançamento do livro realizado em Salvador em 15 de março no Instituto Goethe. “Muita gente morre no trânsito e isso impacta diretamente nosso orçamento público”, detalhou Erica Telles, do coletivo Mobicidade Salvador. Um uso melhor para esse dinheiro? O transporte público. “Precisamos cortar os gastos de impostos investidos em avenidas e redirecioná-los para o transporte público”, sugeriu Singer.

O cartunista também lembrou que os espaços ocupados por ruas e estacionamentos afetam a arrecadação de impostos das cidades. Nessas áreas poderiam ser criadas propriedades que poderiam ser taxadas. Por fim, esses impostos poderiam ser usados para financiar escolas, segurança e a área da saúde. “Toda vez que vejo uma avenida ou um estacionamento penso no que existia antes nesse lugar ou no que poderia existir”, compartilhou o cartunista.

Singer não acredita que haveria menos empregos se o uso de carros diminuir. Para ele, o transporte público oferece bem mais vagas. “Carros são uma maneira ineficiente de transportar pessoas. Eles gastam espaço, tanto quando estão em movimento, quanto quando estão parados.” Ele também critica a ideia passada pela indústria automobilística que pessoas com carros são bem sucedidas e pessoas que andam a pé ou de bicicleta não são.

“A indústria automobilística esta fazendo promessas que não pode cumprir!”, afirmou o cartunista. Ele lembrou que produtores de carros defendem que combustíveis como etanol ou carros elétricos são a solução para todos os problemas relacionados ao uso de automóveis, no entanto, destacou que essas opções são, muitas vezes, inviáveis. Citou como exemplo o lítio usado na bateria dos carros elétricos. A demanda subiu com o aumento da produção, contudo não há quantidade suficiente do metal no mundo para equipar os novos veículos elétricos.

Cartoons e ativismo

Andy Singer

Andy Singer

Andy Singer começou a andar de bicicleta por ser artista e ter pouco dinheiro. Ele morava em um bairro cruzado por inúmeras avenidas, todavia, não tinha dinheiro o suficiente para comprar um carro. “Andar de bicicleta me levou a politica”, lembrou o cartunista. Ele foi transformando suas experiências como ciclista em um mundo de carros em cartoons, juntando sua paixão pela arte com seu cicloativismo (veja mais do seu trabalho em seu site, somente em inglês).

O livro CARtoons – Atropelando a Ditadura do Automóvel, publicado pelas editoras Autonomia Literária e Avocado, com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, mostra exatamente isso. No livro o cartunista critica de maneira bem humorada uma sociedade que prioriza os carros, com cartoons engraçados, mas que ao mesmo tempo levam a reflexão.

E será que o cartunista consegue imaginar um mundo sem carros? “O mundo não tinha carros até os anos de 1890…”, respondeu Singer, resumindo todas as vantagens que a bicicleta trouxe para a sua vida em uma frase: “A bicicleta me ajuda a atuar politicamente, ela ajuda a minha saúde e me ajuda a economizar dinheiro!”

Fotos: Verena Glass

Depois de muitas edições promovidas em distintos lugares como Índia, Quênia, Venezuela, Dakar e Brasil, o Fórum Social Mundial retornou às terras brasileiras e realizou sua nova edição na cidade de Salvador, Bahia, a primeira capital do país. Participei de quatro edições do Fórum ao longo da minha vida de jornalista: três em Porto Alegre e uma em Caracas, com base nisso, posso dizer que este foi um Fórum negro, tanto em relação ao debate, quanto à participação
Por Christiane Gomes
Pudera, Salvador é uma das cidades com maior presença da população afrodescendente no Brasil. E as diversas nuances que cercam as discussões sobre discriminação e racismo, e suas intersecções com classe e gênero estiveram presentes nos ambientes que permearam o campus da Universidade Federal da Bahia, onde a maior parte das atividades do Fórum aconteceram. Genocídio da juventude negra, feminismos negros, ancestralidade, encarceramento, guerra às drogas, para ficar em apenas algumas reflexões que atingem em cheio a população negra brasileira.
Tal fato é uma conquista de movimentos e coletivos que, nos últimos anos, conquistaram, com suas ações e lutas, a visibilidade para assuntos urgentes de serem pautados na esquerda no Brasil. Por sua vez a força, destes movimentos é continuidade da trilha histórica do movimento negro e de mulheres negras e de uma intelectualidade negra que, apesar de sofrer com a invisibilidade imposta pelo racismo nacional estruturante, produz conhecimentos e estudos sobre os seus efeitos na democracia brasileira. O mito da democracia racial que por muito tempo vigorou no Brasil, não têm mais espaço e não mais se sustenta.
Como mencionei, o Fórum foi espaço para que diversos aspectos do racismo brasileiro pudessem ser discutidos. Dentre eles, o debate “Carrocracia e Racismo” (assista), resultado de uma parceria entre a Fundação Rosa Luxemburgo e o Centro Cultural La Frida, realizado no marco do lançamento do livro CARtoons, de Andy Singer, colocou no centro do debate a relação entre dois temas que, num primeiro momento, parecem não se conectar muito, mas que guardam uma relação da mescla entre racismo e machismo.
O diálogo entre o autor do livro e Jamille Santana, do projeto Preta, vem de Bike (iniciativa que ensina mulheres negras periféricas a andarem de bicicleta, com noções de manutenção mecânica e que promove bicicletadas, onde muita gente, estranhando o fato de um grupo de mulheres negras andarem de bike nas ruas da capital baiana, chegam ao extremo de perguntarem se tal feito se trata de alguma performance).

Christiane Gomes, Jamile Santana e Andy Singer

Christiane Gomes, Jamile Santana e Andy Singer


O debate revelou como o uso da bicicleta para a mulher negra é negado e como este corpo negro não encontra muitas vezes a facilidade de ir e vir, principalmente, quando falamos nas periferias.  A fala contundente de Jamille escancarou para as pessoas presentes a intersecção entre raça, classe e gênero para se compreender o viés muitas vezes elitista que cerca o debate sobre a mobilidade e o uso da bicicleta.
O FSM também abrigou a reunião do Fórum Permanente de Mulheres Negras (que reúne entidades mobilizadoras da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver) que celebrou os 30 anos do I Encontro Nacional de Mulheres Negras, que aconteceu em Valença, no Rio de Janeiro, um marco na organização feminista preta.
A conjuntura política daquele 1988 e a de hoje, 2018, guarda similaridades, que apontam como a luta por direitos não cessa e que as mulheres negras, periféricas são as mais suscetíveis ao endurecimento e à perda das políticas públicas. O encontro foi potente ao propiciar um espaço de encontro e de fortalecimento entre gerações de feministas negras, fazendo valer ao máximo o lema de que nossos passos vêm de longe. A articulação resultou na definição do II Encontro Nacional de Mulheres Negras que deve acontecer em novembro, em Goiás.
As atividades seguiam seu curso, ocupando as terras da UFBA, e me causando certa nostalgia das outras edições, e reflexões sobre as transformações (ou a falta delas) que aconteceram desde a minha última participação há inacreditáveis 13 anos, quando o FSM teve seu lugar em Caracas. Se antes “Outro Mundo era possível”, agora “Resistir é criar, Resistir é transformar”. Palavras pertinentes no momento político que atravessamos no Brasil, onde a palavra resistência nunca fez tanto sentido.
Foi quando amanheci a quinta, 15 de março, com uma notícia que me impactou como um soco no estômago: o covarde assassinato da vereadora Marielle Franco, mulher negra, lésbica e periférica, oriundo da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro e que teve uma expressiva votação nas eleições de 2016. Tive contato com o trabalho de Marielle em 2017, quando trabalhava na organização dos eventos de lançamento do livro Calibã e a Bruxa, que contaria com a participação de sua autora, Silvia Federici.
Mobilização do Fórum depois do assassinato de Marielle Franco

Mobilização do Fórum depois do assassinato de Marielle Franco


Uma das atividades estava sendo organizada no Museu da Maré e teria em seu público, mulheres negras lideranças de movimentos populares da própria comunidade e de outras do Rio de Janeiro. Marielle contribuiu, através de articulações realizadas por uma de suas assessoras, para divulgar a atividade e garantir que as mulheres que estavam na linha de frente das lutas sociais, pudessem ouvir Federici e receber um exemplar de seu livro, com o nítido objetivo de contribuir em suas lutas.
Naquele dia, tive a noção do quão importante era o trabalho desenvolvido por ela e como se firmava como uma referência para as meninas daquela comunidade. Na quinta, 15 de março, o FSM paralisou suas atividades da manhã e suas e seus participantes saíram em marcha pela UFBA e depois pelas ruas da cidade para reverenciar a memória de Marielle, chorar sua brutal partida e, sem minutos de silêncio, gritar em alto e bom som que a resistência continua.
O primeiro depois de mãe
Este Fórum também teve um significado pessoal importante porque junto de mim estava a minha bebê, Serena Odara que, no início de sua vida de cinco meses, pode respirar a atmosfera que move as pessoas que se mobilizam em prol de mudanças na sociedade. Aproveito aqui para agradecer a presença de minha mãe, Marlene: sem ela nossa participação não seria possível. A missão de criar uma mulher negra nesta sociedade, só me enche de gana de seguir trilhando o caminho de resistência de minhas ancestrais. “Resistir para transformar”, como diz a palavra de ordem do Fórum neste 2018.
E imbuída das transformações no olhar que a maternidade me impõe pude perceber que o FSM não contava com nenhum espaço onde as mães pudessem deixar suas crias para participar dos debates. Inclusive vi poucas crianças no ambiente do campus. Na marcha de abertura, por exemplo, eu que lá estava com minha filha amarrada em meu corpo, não identifiquei nenhuma mãe com seu bebê.
Estranhei, confesso e me perguntei: onde estão as mães? Onde estão suas crias? Será que elas vieram para o Fórum? Lutar por uma nova sociedade passa por refletir sobre como tratamos nossas crianças quando elas iniciam suas vidas e as mulheres que têm como trabalho criá-las. A maternidade é linda sim, mas é construída com muito trabalho e um trabalho ininterrupto, que não é valorizado e sequer visto e considerado.  Os feminismos precisam lidar com esta realidade.
O leitor ou a leitora pode pensar: “Ah, ela diz isso porque agora é mãe”.  É exatamente isso: trago este questionamento justamente porque agora lido, dia a dia, com os desafios que a maternidade coloca às mulheres, cada uma em sua especificidade. Por isso, cabe a nós, mães, pautar estas questões. E é isso que faço neste texto e nas minhas ações cotidianas e foi isso também que os dias em Salvador me fizeram pensar.
Fotos: Verena Glass

Kaum ein Land sperrt so viele Menschen ein wie Brasilien. In den letzten 30 Jahren hat sich die Gefängnisbevölkerung um das Siebenfache erhöht. An der Politik der Masseninhaftierung zeigen sich viele Grundprobleme der brasilianischen Gesellschaft: soziale Ungleichheit, Rassismus, Gewalt. Doch es regt sich Widerstand
Von Niklas Franzen

Immer noch füllen sich Maria da Silvas große, schwarze Augen mit Tränen, wenn sie an die Zeit zurückdenkt. „Als mein Sohn ins Gefängnis kam, wurde auch ich verhaftet.“ Die schwarze Frau mit den langen, krausen Haaren und dem ernsten Gesichtsausdruck stammt aus der Megametropole São Paulo. Sie ist eine von hunderttausenden Müttern, die ein Kind im Gefängnis besuchen musste. Mehrere Jahre sind seit der Haft ihres Sohnes vergangen. Heute sagt sie: „Was im Gefängnis passiert, ist Folter.“

Denn: Die Bedingungen in den Gefängnissen sind unmenschlich. In vielen Haftanstalten sitzen fünfmal so viele Menschen ein, wie es die Kapazität zulässt. Die Gesundheits- und Hygienebedingungen sind katastrophal. Doch auch die Angehörigen der Gefangenen leiden. „Wir wurden gedemütigt und schikaniert“, erinnert sich da Silva. Für Verwandte von Gefängnisinsassen gibt es keine Unterstützung vom Staat. Deshalb gründete da Silva mit einer Handvoll Mitstreiter*innen die Organisation AMPARAR. Seit mehreren Jahren leisten die größtenteils weiblichen Aktivist*innen psychologische und juristische Unterstützung für Angehörige, begleiten Mütter und Väter bei Besuchen – und klagen ein System an, das eine ganze Generation ihrer Freiheit beraubt.

Frauenhaftanstalt Pirajuí

Frauenhaftanstalt Pirajuí

AMPARAR war eine von vielen Gruppen, die das Thema der Masseninhaftierung auf dem diesjährigen Weltsozialforum (WSF) auf die Agenda setzte. Das WSF fand vom 13. bis 17. März in der nordöstlichen Millionenstadt Salvador da Bahia statt. Die Rosa-Luxemburg-Stiftung unterstützte mehrere Veranstaltungen über die Politik der Masseninhaftierung in Brasilien. Das Thema wurde viel zu lange von der Linken ignoriert, meint Ingrid Farias bei einer Diskussionsveranstaltung in der tropischen Mittagshitze der Küstenmetropole. Die Aktivistin mit den tätowierten Armen, blondgefärbten Dreadlocks und der großen Hipsterbrille kämpft seit Jahren dafür, dass sich das ändert.

Brasilien hat heute die drittmeisten Gefangenen der Welt. Unlängst überholte das Land sogar Russland. Zwischen 1990 und 2014 hat sich die Gefängnisbevölkerung um das Siebenfache erhöht. Die Masseninhaftierung ist neben der extremen Gewalt von Sicherheitskräften gegen Bewohner*innen armer Stadtteile ein Zahnrad des Krieges gegen die Drogen. Die meisten Gefangenen in Brasilien sitzen wegen Drogendelikten ein. Gerichtsprozesse gegen Kleindealer*innen oder auch Konsument*innen dauern oft nur Minuten und gehen ohne Pflichtverteidiger*innen vonstatten, häufig nur mit Polizist*innen als Zeug*innen. Eine winzige Menge Drogen kann ausreichen, um hinter Gitter zu landen – wenn man sich keinen Anwalt leisten kann.

Der Krieg gegen die Drogen in Brasilien ist laut Marcelo Naves von der links-katholischen Gefängnispastorale vor allem ein „Krieg gegen die Armen“. Die große Mehrheit der heutigen Gefangenen: jung, arm und schwarz. Afrobrasilianer*innen landen überproportional häufig im Gefängnis. Die Aktivistin Beatriz Nascimento von der Schwarzenbewegung Uneafro meint: „Unsere Jugendlichen, die nicht von der Polizei in den Favelas ermordet werden, landen im Gefängnis“. Hinter Gitter kam man die Probleme der brasilianischen Gesellschaft wie unter dem Brennglas betrachten: soziale Ungleichheit, Rassismus, Gewalt.

Die überfüllten Haftanstalten sind Nährboden für kriminelle Organisationen. Viele Gefangene schließen sich erst hinter Gitter einer Drogengang an. Passenderweise werden Gefängnisse in Brasilien auch „Schulen des Verbrechens“ genannt. Regelmäßig kommt es dort zu Aufständen. Im vergangenen Jahr starben Hunderte bei Massakern hinter Gefängnismauern, die Bilder gingen um die Welt. Ein gescheitertes Modell also? Nein, meint die Aktivistin Farias. „Das Gefängnissystem ist nicht gescheitert. Die Strategie geht auf: nämlich die Kontrolle der armen, schwarzen Bevölkerung.“ Bei den Diskussionen auf dem Weltsozialforum wurde deutlich, dass die Politik der Masseninhaftierung systematischen Charakter hat. Und es wurde zudem klar, dass viele der derzeitigen Probleme, wie der Anstieg der Gewaltverbrechen oder die Stärke des organisierten Verbrechens, ihre Ursprung im Strafsystem haben.

Bei vielen Diskussionen auf dem Weltsozialforum über die Politik der Masseninhaftierung lag der Fokus auf der Situation der Frauen. Aber was haben Frauen mit dem Thema zu tun? Schließlich ist die große Mehrheit der Gefängnisinsassen männlich. Viel, meint Farias. Als Mütter und Ehefrauen leiden auch sie unter der Politik der Masseninhaftierung. Sie meint: „Wir brauchen unsere Männer, auch das ist Feminismus.“ Die Autorin Juliana Borges stimmt zu: „Wir schwarze Frauen kämpfen für alle Schwarzen – auch für die Männer.“ Außerdem landen immer mehr Frauen im Gefängnis. Zwischen 2006 und 2014 hat sich die weibliche Gefängnisbevölkerung fast versechsfacht. Über 42.000 weibliche Gefangene gibt es derzeit in Brasilien, nur in vier Ländern sind es mehr.

AMPARAR beteiligt sich zusammen mit Organisationen wie der Gefängnispastorale an der „Nationalen Agenda der Deinhaftierung“. Das Bündnis fordert unter anderem die Entkriminalisierung von Drogen, Präventionsmaßnahmen gegen Folter, den Baustopp von Gefängnissen und die Demilitarisierung der Polizei. Die Aktivist*innen wollen außerdem eine Diskussion über alternative Formen der Konfliktlösung in Gang treten. Ihr Ziel: Eine Welt ohne Gefängnisse.

Auch Maria da Silva will weiterkämpfen. Zwar sei ihr Sohn frei. Hunderttausende Brasilianer*innen sitzen aber weiterhin in Haft – und mit ihnen hunderttausende Mütter und Väter.
Foto: Tainã Mansani 

Der brasilianische Präsidentschaftskandidat Guilherme Boulos* über die Notwendigkeit eines tiefgreifenden Wandels
Von Niklas Franzen, neues deutschland
Herr Boulos, Sie sind Nationalkoordinator der Wohnungslosenbewegung MTST und treten zusammen mit der indigenen Aktivistin Sônia Guajarara zu den Präsidentschaftswahlen im Oktober an. Warum?
Brasilien befindet sich in einer schweren politischen Krise. Die Hoffnungslosigkeit ist groß und die Menschen sehen keine Zukunft für sich und ihre Kinder. Es ist notwendig, unsere Wut in die Politik zu tragen. Wir wollen das, wofür wir auf der Straße gekämpft haben, nun in der Politik umsetzen. Es bedarf grundsätzlicher Veränderungen, da das politische System in Brasilien gescheitert ist. Wir haben keine Angst, den Finger in die Wunde zu legen.
Aber zielen Sie mit ihrer Kandidatur eher darauf ab, die politische Debatte zu beeinflussen oder wirklich zu regieren?
Wir wollen regieren und nicht einfach nur stille Zeugen der politischen Auseinandersetzung sein. Zusammen mit Sônia Guajajara, der PSOL und sozialen Bewegungen kämpfe ich für ein politisches Projekt, das sich lohnen soll.

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Guilherme Boulos

Die Arbeiterpartei PT hat 12 Jahre in Brasilien regiert, bis sie im Jahr 2016 durch ein juristisch fragwürdiges Amtsenthebungsverfahren abgesetzt wurde. Die PSOL entstand als Linksabspaltung der Partei (siehe Kasten). Was würden Sie im Falle eines Wahlsieges anders machen als die PT?
Es gab Regierungserfahrungen der Linken in Brasilien – mit Fortschritten und Grenzen. Obwohl wir die Fortschritte anerkennen, werden wir nicht aufhören, Kritik zu üben. Diese Regierungen der PT haben nicht die Banken und das Kapital angegriffen. Brasilien ist weiterhin eines der Länder mit der größten Ungleichheit der Welt. Der Oxfam-Bericht vom September 2017 zeigt, dass hier sechs Personen mehr besitzen als 100 Millionen Menschen. Das Steuersystem ist sehr regressiv. Die Armen zahlen proportional mehr als die Reichen. Es gibt keine Steuern auf große Vermögen, die Erbschaftssteuer ist ein Witz. Es ist wie bei Robin Hood – nur andersrum. All dies wurde während der Amtszeiten der PT nicht angetastet. Wir müssen außerdem ein politisches System angreifen, das sich aus Koalitionen mit den reaktionärsten Kräften zusammensetzt. Diese nutzen die Politik lediglich, um Geld zu machen. Wir brauchen also eine umfassende Demokratisierung des politischen Systems. Auch die Medien müssen demokratisiert werden. Daneben kämpfen wir für eine Agrarreform sowie für eine urbane Reform. Kurz gesagt: Es geht darum, Privilegien anzugreifen – denn das ist mit der PT nicht geschehen.
Der Eintritt von Aktivist*innen in die institutionelle Politik wurde in der Vergangenheit immer wieder scharf kritisiert. Sehen Sie, als Koordinator einer außerparlamentarischen, sozialen Bewegung, kein Problem darin, nun zu Wahlen anzutreten?
Nein. Seit mehr als 15 Jahren bin ich Aktivist der Wohnungslosenbewegung MTST und wir sind an einem Punkt angelangt, wo wir es uns nicht mehr leisten können, nur über Wohnraum zu sprechen. Durch die Regierung von Michel Temer verlieren die Brasilianer derzeit historische Rechte. Wir dürfen nicht länger zusehen, wie diese kriminelle Bande das Land führt, brutal das Leben der Mehrheit der Bevölkerung angreift und einfach still sein. Und wir werden unsere Mobilisierung auf der Straße aufrechterhalten. Denn: Es reicht nicht aus, einfach nur Wahlen zu gewinnen – wir kämpfen für ein politisches Projekt.
Ex-Präsident Luiz Inácio »Lula« da Silva wurde unlängst in zweiter Instanz verurteilt und kann voraussichtlich nicht zur Wahl antreten. Welche Rolle spielt die PT für ihre Kandidatur?
Die PT ist nicht mehr an der Regierung, mehr als das: Sie hat einen Putsch erlitten. Gegen Lula läuft eine juristische Verfolgung, besser gesagt eine juristische Farce. Dies könnte ihn hinter Gitter bringen, obwohl es keine Beweise gibt. Die Justiz verhält sich wie eine politische Partei, um Lula von den Wahlen auszuschließen. Es ist eine Sache Differenzen mit der PT zu haben – und die haben wir. Das haben wir in der Vergangenheit immer wieder klar artikuliert. Aber wir werden uns nicht zum Komplizen dieser Justiz machen.
Umfragen zeigen, dass der ultrarechte Kandidat Jair Bolsonaro bei den Umfragen für die Wahlen immer weiter zulegt, auch viele Jugendliche aus den armen Randgebieten haben vor, für Bolsonaro zu stimmen.
Wir sehen Bolsonaro nicht als Konkurrenten, sondern als Kriminellen. Er hat sich mehrerer Verbrechen schuldig gemacht: Hassverbrechen, Rassismus, Homophobie, Sexismus und Anstiftung zur Gewalt. Kürzlich sagte er, dass wenn er die Wahl gewinne und das organisierte Verbrechen nicht aus Rocinha verschwinde, er die Favela mit Kugeln durchlöchern werde. Im Parlament hat er Folterer der Militärdiktatur geehrt, unter anderem jenen Mann, die die Ex-Präsidentin Dilma Rousseff gefoltert hat. Bolsonaro ist ein Verbrecher, der hinter Gitter gehört und nicht zur Wahl antreten sollte.
Dennoch ist er einer der beliebtesten Politiker in Brasilien und hat Chancen auf einen Wahlsieg. Wie wollen sie das verhindern?
Bolsonaro präsentiert sich als Neuheit und als Gegenspieler zum korrupten, politischen Establishment. Allerdings war er selbst die meiste Zeit seiner politischen Karriere Abgeordneter einer der korruptesten Parteien Brasiliens. Die Menschen sind so desillusioniert und hoffnungslos, dass sie dem Diskurs von Bolsonaro ein Echo geben. Wir müssen dieses Bild demaskieren und dafür sorgen, dass die Brasilianer das Vertrauen in die Politik zurückgewinnen – und zwar indem wir Zukunftsperspektiven aufzeigen.

Guilherme Boulos und Sônia Guajajara

Guilherme Boulos und Sônia Guajajara

Doch gerade wegen seiner harten Hand gegen das organisierte Verbrechen erfährt Bolsonaro viel Zustimmung. Die Gewalt in Brasilien ist in den vergangenen Monaten explodiert, die Debatte über die öffentliche Sicherheit dürfte den Wahlkampf maßgeblich bestimmen. Wie wird das Thema von Ihnen diskutiert?
Das Problem der öffentlichen Sicherheit ist groß. Wir müssen die Gewalt effektiv bekämpfen. Als Erstes muss aber verstanden werden, dass die Gewalt untrennbar mit der sozialen Ungleichheit zusammenhängt. Wo es weniger Sozialpolitik und weniger Möglichkeiten gibt, steigt die Gewalt. Das ist kein brasilianisches Phänomen, sondern überall auf der Welt der Fall. Wir diskutieren verschiedene Wege, die Gewalt zu bekämpfen, unter anderem mit Wissenschaftlern und einer Gruppe von antifaschistischen Polizisten.
Wie sehen die aus?
Wir haben einige Vorschläge. Als Erstes darf der Staat nicht länger Initiator der Gewalt sein. Die Polizei arbeitet in Brasilien mit einem Konzept des inneren Feindes – und dieser ist für sie der schwarze Jugendliche aus der Vorstadt. Diese Feindeslogik heizt die Gewalt nur noch weiter an. Wir brauchen eine tief gehende Reform und Demilitarisierung der Polizei. Zudem muss eine neue Strategie gefunden werden, die öffentliche Sicherheit für alle verspricht. Zweitens, der Krieg gegen die Drogen ist auf der ganzen Welt gescheitert. In Brasilien werden lediglich die kleinen Dealer angegriffen. Es ist ein Krieg gegen die Armen. Die großen Geschäfte bleiben unangetastet. Das hat dazu geführt, dass das organisierte Verbrechen noch viel mächtiger geworden ist. Daher müssen wir Drogen entkriminalisieren – denn das ist der effektivste Weg, das organisierte Verbrechen zu bekämpfen. Unser dritter Punkt hat mit einer tief verankerten Kultur der Gewalt in der Gesellschaft zu tun. In Brasilien laufen zur besten Sendezeit Polizeisendungen im Fernsehen. Diese Shows zementieren die Kultur der Gewalt und schaffen ein tief sitzendes Gefühl der Unsicherheit. Unser Nachbar Uruguay hat vor einigen Jahren unter Ex-Präsident José Mujica ein interessantes Experiment gestartet. Die Fernsehsender durften Polizeishows nur noch nach 23 Uhr ausstrahlen. Das Ergebnis war, dass die Gewalt im Land gesunken ist. All dies sind Wege, die wir gehen müssen.
In den vergangenen Jahren haben sich Frauen immer mehr ihren Platz in politischen Auseinandersetzungen erkämpft. Wie beeinflussen feministische Debatten Ihre Kandidatur?
Die Ungleichheit hat verschiedene Stufen in Brasilien und Frauen stehen immer noch unten. Für die gleiche Arbeit verdienen sie weniger als Männer, auch in der Politik sind Frauen weiterhin extrem unterrepräsentiert. Obwohl sie die Mehrheit in der Bevölkerung sind, stellen sie nur zehn Prozent der Abgeordneten im brasilianischen Parlament. Dies ist Ausdruck einer tief sitzenden Ungleichheit. In Brasilien sterben außerdem jeden Tag vier Frauen an den Komplikationen von im Geheimen durchgeführten und schlecht ausgeführten Abtreibungen. Deshalb fordern wir, dass Frauen endlich über ihren eigenen Körper bestimmen können. Unser Programm ist also ein feministisches Programm. Denn, wer tief greifende Veränderungen umsetzen will, muss diese Debatten als zentral betrachten.
Ihre Parteikollegin Marielle Franco wurde brutal in Rio de Janeiro ermordet. Was bedeutet dieser Fall für Sie?
Der Tod von Marielle hat uns alle schwer geschockt. Sie war eine Kämpferin und wichtige Parteikollegin. Der Mord zeigt, wie tief die Wunde in der brasilianischen Demokratie sitzt. Das ist eine Nachricht von der anderen Seite: Sie sind bereit, alles zu tun. Wir müssen die Ermittlungen abwarten, aber es gibt Verdächtige. Marielle hat die Polizeigewalt in Rio de Janeiro öffentlich angeklagt, sich gegen die Militärintervention gestellt (im März übernahm das Militär die Kontrolle über die Sicherheit in Rio de Janeiro, Anm. d. Red.) und wurde zur Vorsitzenden einer Kommission im Stadtparlament über den Einsatz ernannt. Wir wollen wissen, wer sie ermordet hat und werden keine Ruhe geben, bis wir eine Antwort darauf bekommen. Marielle wird Gerechtigkeit erfahren. Ihr Kampf wird nicht umsonst gewesen sein.

*Guilherme Boulos ist Nationalkoordinator der Wohnungslosenbewegung MTST, die in den brasilianischen Städten für bezahlbaren Wohnraum und eine urbane Reform kämpft. Anfang März wurde der 35-Jährige von der Partei für Sozialismus und Freiheit (PSOL) als Präsidentschaftskandidat vorgestellt. Auf dem Weltsozialforum in Salvador da Bahia sprach Niklas Franzen für »nd« mit Boulos über seine Kandidatur und den Aufstieg der extremen Rechten in Brasilien

Fotos: Gerhard Dilger