Em 1º de maio, faleceu o nosso companheiro, o ecossocialista Elmar Altvater. Ele levou a sério as legítimas demandas da natureza sem perder de vista as relações sociais das classes inferiores
Por Raul Zelik*
Elmar Altvater foi um homem de múltiplas facetas: cozinheiro extraordinário e anfitrião generoso; um indivíduo antiautoritário, que fundou um dos primeiros jardins de infância antiautoritários em Berlim Ocidental, mas por vezes também um catedrático de modos bruscos; um ativista dos movimentos sociais, que militou nos grupos mais diversos imagináveis da oposição extraparlamentar, da Confederação Socialista de Estudantes Alemães a Attac; um homem de partido, que abandonou o Partido Verde depois da participação da Alemanha na Guerra da Iugoslávia, para ingressar poucos anos depois no Partido da Esquerda, para o qual ele redigiu partes centrais do programa; um leitor de romances e obras de fundamentação filosófica, que ele deixava entrar nos seus textos científicos; e ao mesmo tempo um autor que se dirigia a um público mais amplo e redigiu para o WOZ [um hebdomadário suíço de orientação esquerdista] numerosas contribuições depois da crise financeira de 2008.
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Mas a característica mais importante de Elmar Altvater certamente foi o fato dele ter sido um dos pouquíssimos economistas, que imbricaram com coerência a análise marxista da sociedade com a ecologia.
O aquário e a sopa de peixes
Elmar Altvater iniciou a busca de um socialismo verde já nos anos 60, se doutorou com uma tese sobre problemas ambientais na União Soviética. Em 1971 tornou-se titular de Economia Política na Universidade Livre de Berlim. Ele mesmo enfatizou muitas vezes que deveu esse cargo também a um movimento social, pois grupos estudantis tinham exigido a nomeação de um marxista para a cátedra.
Nos anos 70 as ênfases de Altvater ainda eram a teoria marxista e a investigação de crises econômicas. Além disso ele ajudou então a fundar a “Prokla”, uma importante revista trimestral de sociologia crítica, publicada até os dias atuais. Mas nos anos 80 ele se passou a dedicar muita energia ao projeto de desenvolvimento de uma crítica da sociedade, de cunho ecológico-marxista.
Importantes foram nesse sentido as suas estadias mais prolongadas no Brasil, que o levaram, entre outras cidades, à Amazônia, mais especificamente a Belém do Pará. Chamou a atenção ao fato de que processos de beneficiamento promovidos pelo homem e tidos na economia como potenciadores da riqueza, muitas vezes destroem de modo irreversível a riqueza natural. Ele apreciava ilustrar essa tese com uma piada antiga: é possível transformar um aquário em uma sopa de peixe, mas não uma sopa de peixe em um aquário.
Com isso ele revelava os contornos de um problema fundamental da economia: embora a palavra grega “oikonomia” originariamente tenha designado o uso parcimonioso de recursos escassos, a economia atual acaba destruindo os fundamentos naturais. As grandes escolas econômicas ignoram sistematicamente as leis físicas da energia e da natureza.
Com isso Elmar Altvater não demorou em chegar ao historiador da economia Karl Polanyi, um socialista herético, que desenvolvera em 1944 no seu famoso livro “The Great Transformation” o conceito do “desarraigamento dos mercados” [disembedding of the markets]. Justamente o que torna o mercado tão inovador e dinâmico revelou ser uma fatalidade para a sociedade. Com base no séc. XIX e no início do séc. XX, Polanyi mostrou como a libertação do mercado de barreiras políticas e morais resultara na destruição dos fundamentos sociais da sua própria existência. O mercado desenfreado teria destruído a coesão social  e com isso preparado o terreno para a ascensão do militarismo e de movimentos racistas, por fim das guerras mundiais.

José Eli da Veiga, Alternativa solar (resenha do livro «O preço da riqueza», 1996)
«Crise abre novas possibilidades ao capitalismo» – Entrevista na Folha de S. Paulo (2011)
Birgit Mahnkopf/Elmar Altvater, El planeta limitado y la globalización del 1% (2017)

Altvater retomou esse argumento e aplicou-o à questão ecológica. Quando depois do colapso do Bloco Leste o mercado parecia ter comprovado em definitivo a sua superioridade e os economistas keynesianos foram empurrados para fora das universidades juntamente com os marxistas, publicou os livros “O futuro do mercado” (1991) e “O preço do bem-estar” (1992), nos quais ele mostrou as capacidades, mas também os problemas fundamentais da regulação do mercado. O aspecto central da sua argumentação foram os efeitos de externalização, abordados recentemente por Stephan Lessenich, sociólogo da Universidade de Munique, no seu muito comentado livro “Ao lado de nós, o dilúvio” (2016).
O preço do futuro
Elmar Altvater analisou esses efeitos já há 25 anos. No mercado, os concorrentes empenham-se constantemente em repassar os custos para fora ou para o futuro. Às vezes fazem isso de forma ilegal, depositando lixo em florestas, às vezes de forma legal, exportando substâncias tóxicas a países africanos ou asiáticos. Às vezes os custos também são simplesmente repassados aos clientes.
O efeito de externalização atua de modo especialmente dramático ao longo do tempo: mais especificamente, quando as consequências da ação econômica somente se manifestam efetivamente décadas mais tarde. O melhor exemplo disso é a mudança climática. Seus custos deverão aumentar imensamente nos próximos anos. Mas aqueles, que os causaram com emissões de CO2, em parte já puderam contabilizar seus lucros há décadas ou vivem a milhares de quilômetros das ilhas destruídas pelo aquecimento global.
Combinar os enfoques
Altvater insistiu com muita coerência que se levasse a sério o caráter global do capitalismo e compreendesse a imbricação das consequências ecológicas e sociais. Isso levou-o mais recentemente à tese de que não vivemos no “antropoceno”, ou seja, num período da história do planeta definido pelo gênero humano, mas num “capitaloceno”. O processo de transformação, que transforma a natureza do nosso planeta de modo tão dramático, teria sido iniciado somente pelo uso industrial de combustíveis fósseis, tal como posto em marcha pela coação do capital à sua valorização permanente.
O traço grandioso na personalidade de Elmar Altvater foi que ele levou a sério as legítimas demandas da natureza sem perder de vista as relações sociais das classes inferiores entre nós e no Sul Global. Hoje fica cada vez mais claro que a esquerda só pode ter futuro como movimento ecossocialista. Na prática, porém, os movimentos de esquerda enfrentam dificuldades na combinação dos enfoques: como os ativistas da luta contra a mudança climática e os trabalhadores da extração de hulha a céu aberto podem formular agendas comuns?
Como os sindicatos podem impor maior participação material sem com isso promover um consumismo estúpido? Como a situação de vida no Sul Global pode ser melhorada com a paralisação simultânea da máquina de triturar do crescimento econômico? Elmar Altvater mostrou que não apenas devemos, mas podemos pensar as coisas em conjunto.
Também por esse motivo sua falta será muito sentida.
Traduzido por Peter Naumann
* Raul Zelik publicou juntamente com Elmar Altvater em 2009 o livro “Topografia da utopia”, uma conversa sobre os mitos do capitalismo e a sociedade vindoura

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, em comparação à 2016, aumentou em 15% o número de mortes violentas de camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, entre outras populações das áreas rurais do Brasil
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Por Comissão Pastoral da Terra (CPT)
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo no Brasil em 2017 – o maior número desde o ano de 2003. A CPT também denuncia ataques hackers que sofreu no último ano, provavelmente dentro do processo de criminalização contra as organizações sociais que tem se intensificado, e que acabou impossibilitando a conclusão e o lançamento nessa data de seu relatório anual, o “Conflitos no Campo Brasil”.
Mesmo com o atraso em sua publicação, a CPT torna públicos hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo ocorridos no ano de 2017. Novamente esse tipo de violência bateu recorde, e atingiu o maior número desde 2003, com 70 assassinatos. Um aumento de 15% em relação ao número de 2016. Dentre essas mortes, destacamos 4 massacres ocorridos nos estados da Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Destacamos, ainda, a suspeita de ter ocorrido mais um massacre, de indígenas isolados, conhecidos como “índios flecheiros”, do Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017. Seriam, pelas denúncias, mais de 10 vítimas. Contudo, já que o Ministério Público Federal no Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), não chegaram a um consenso, e diante das poucas informações a que a CPT teve acesso, por se tratar de povos isolados, o caso não foi inserido na listagem por ora apresentada.
A CPT ressalta, todavia, que, além dos dados de assassinatos que constam nesta relação, há muitos outros que acontecem na imensidão deste país e que só a dor das famílias é que os registram. “A publicação da CPT é apenas uma amostra dos conflitos no Brasil”, dizia Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás (GO) e um dos fundadores da Pastoral.
Os assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra, de indígenas, quilombolas, posseiros, pescadores, assentados, entre outros, tiveram um crescimento brusco a partir de 2015. O estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, sendo 10 no Massacre de Pau D?Arco; seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos.
Dos 70 assassinatos em 2017, 28 ocorreram em massacres, o que corresponde a 40% do total. Em agosto de 2017, a CPT lançou uma página especial na internet sobre os massacres no campo registrados de 1985 a 2017. Foram 46 massacres com 220 vítimas ao longo desses 32 anos. Na página é possível consultar o histórico e imagens dos casos. O estado do Pará também lidera esse ranking, com 26 massacres ao longo desses anos, que vitimaram 125 pessoas.
Assassinatos e julgamentos
A CPT registra os dados de conflitos no campo de modo sistemático desde 1985. Entre os anos de 1985 e 2017, a CPT registrou 1.438 casos de conflitos no campo em que ocorreram assassinatos, com 1.904 vítimas. Desse total de casos, apenas 113 foram julgados, o que corresponde a 8% dos casos, em que 31 mandantes dos assassinatos e 94 executores foram condenados. Isso mostra como a impunidade ainda é um dos pilares mantenedores da violência no campo.
Nesses 32 anos, a região Norte contabiliza 658 casos com 970 vítimas. O Pará é o estado que lidera na região e no resto do país, com 466 casos e 702 vítimas. Maranhão vem em segundo lugar com 168 vítimas em 157 casos. E o estado de Rondônia em terceiro, com 147 pessoas assassinadas em 102 casos.
Ataques hackers atrapalham conclusão do relatório anual da CPT
A partir do segundo semestre de 2017, a Secretaria Nacional da CPT, situada em Goiânia (GO), sofreu seguidos ataques hackers, orquestrados e direcionados a setores estratégicos,que forçaram a limitação do funcionamento de seus servidores na tentativa de manter a segurança do sistema, o que acabou comprometendo o desempenho das tarefas diárias da Pastoral. O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, responsável pela catalogação e compilação dos dados de conflitos no campo divulgados pela entidade, foi prejudicado, atrasando o fechamento do relatório anual da CPT, o “Conflitos no Campo
Brasil”, e impossibilitando o seu lançamento na data costumeira, a semana do 17 de abril, Dia Internacional de Luta Camponesa, em memória aos trabalhadores rurais sem-terra assassinados na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, Pará, em 1996.
Esses ataques podem, também, fazer parte do processo de criminalização empreendido contra organizações e movimentos sociais de luta. O caso foi denunciado às instâncias policiais competentes e segue sob investigação. De qualquer forma, a CPT julga de extrema importância denunciar, ainda que de forma incompleta, algumas das diversas formas de violência exercidas contra os povos do campo em 2017 e chamar a atenção para os dados alarmantes que agora analisamos. Em breve será divulgado, enfim, o relatório Conflitos no Campo Brasil 2017, completo. A CPT aproveita para reafirmar seu compromisso com as causas do povo pobre do campo, e que não conseguirão nos calar!
MANIFESTO CONTRA O RECRUDECIMENTO DA LEI DE TERRORISMO
Entidades requerem a não-aprovação do regime de urgência do PL nº 9.604/2018
Num contexto de crescimento do Estado de Exceção no Brasil, o deputado Jerônimo Goergen (PP/RS) apresentou requerimento para que o Projeto de Lei nº 9.604/2018, de sua autoria, tramite em regime de urgência na Câmara dos Deputados. O projeto significa uma ofensiva contra os movimentos sociais, ao incluir articulações populares e ocupações de imóveis como atos criminalizados pela lei antiterror.
Desde os primeiros debates sobre a criação do crime de terrorismo no Brasil, a sociedade civil denunciou a celeridade e insuficiência de debate público sobre o tema. Como resultado, a Lei 13.260/16 foi aprovada em apenas oito meses de tramitação. Uma das poucas garantias conquistadas no texto legal foi a não-aplicação da lei aos movimentos sociais, uma vez que a atuação destes é um indicador de qualidade de uma sociedade democrática.
Porém, na tentativa de criminalizar a participação de coletivos organizados na vida política brasileira, imediatamente após a aprovação da Lei, essas garantias tornaram-se alvo de sete projetos que objetivam alterar o texto legal e recolocar os movimentos sociais sob a mira direta da criminalização.
Assim, sob o discurso de impedir o “abuso do direito de articulação de movimentos sociais”, “como os que envolvem a ocupação de imóveis urbanos ou rurais, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado”, o Congresso Nacional poderá aceleradamente limitar direitos civis e políticos sem debate sobre o tema.
A criminalização do terrorismo, em si, é um problema, pois sua definição é política e não jurídica. Mas, em qualquer acepção que tome, de maneira alguma as ocupações de imóveis ou outras formas de protesto devem ser identificados como atos terroristas. Ocupações e protestos são inerentes à democracia. Criminalizá-los é coerente apenas com regimes autoritários.
O impacto de projetos como esses devem ser compreendidos em um contexto de progressivo aumento da violência no campo, provocada por pistoleiros e, muitas vezes, agentes do Estado. O Relatório de Conflitos no Campo Brasil 2016, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), por exemplo, aponta que somente em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo, o que equivale a uma média de cinco assassinatos por mês.
Por esses motivos, as organizações que subscrevem essa carta alertam para o conteúdo autoritário das propostas e solicitam que os parlamentares não autorizem a tramitação do regime de urgência do PL 9.604/18, prevalecendo o debate público e democrático em torno de toda e qualquer proposta que vise a cercear a liberdade de expressão e de participação política.
ASSINAM ESTA CARTA
1. Ação Educativa
2. ACPO – Santos/SP
3. Aliança de Controle do Tabagismo – ACT
4. Amigos da Terra Brasil
5. Articulação Antinuclear Brasileira
6. Articulação Brasileira de Lésbicas –ABL
7. Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
8. Articulação Justiça e Direitos Humanos
9. Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil
10. Artigo 19
11. Associação Amazônia pelo Transporte Ativo – Apta
12. Associação Brasileira de Antropologia – ABA
13. Associação Brasileira de Ciência Política Regional Centro-Norte – ABCP/Centro-Norte
14. Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis, Transexuais e Intersexos – ABGLT
15. Associação Catarinense de Rádios Comunitárias-ACRACOM
16. Associação das Donas de Casa do Amazonas
17. Associação das Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco – A.M.A.R. RJ
18. Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais – AATR
19. Associação de Artesãos Indígenas de Manaus Amazônia Viva – AAIMAV
20. Associação de Mulheres de Armação dos Búzios
21. Associação de Mulheres Unidas da Serra – AMUS
22. Associação de Servidores e Servidoras da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
23. Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
24. Associação Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania – Bahia
25. Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares – ABAM
26. Associação Nacional de História – ANPUH-Brasil
27. Associação Nossa Senhora da Conceição
28. Bicuda Ecológica – RJ
29. Campanha Nacional pelo Direito à Educação
30. Casa da Solidariedade -SP
31. Casa Frida – Ponto de Cultura Feminista
32. Centro de Apoio aos Direitos Humanos Valdicio Barbosa dos Santos
33. Centro Burnier Fé e Justiça CBFJ/MT
34. Centro da Mulher 8 de Março – Paraíba
35. Centro de Assessoria Popular Mariana Criola
36. Centro de Educação e Assessoramento Popular-CEAP
37. Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Mônica Paião Trevisan / SP
38. Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra
39. Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennès/ Cáceres-MT
40. Centro de Defesa de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno
41. Centro de Direitos Humanos Pablo Gonzales Olalla
42. Centro de Direitos Humanos de Sapopemba / SP
43. Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social – CENDHEC
44. Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA
45. Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
46. Centro Pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL
47. Centro Popular de Defesa dos Direitos Humanos Frei Tito de Alencar Lima
48. Cine Clube Feminista de São Sebastião
49. Círculo Palmarino
50. Coletivo de Mulheres- Casa Lilás
51. Coletivo Margarida Alves de Assessoria Popular
52. Coletivo Mulher Vida – CMV/Olinda (PE)
53. Coletivo por um Ministério Público Transformador – Transforma MP
54. Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos – CBDDH
55. Comitê Carlos de Ré da Verdade e Justiça do Rio Grande do Sul
56. Comissão Justiça e Paz –SP
57. Comissão Pró-Índio de São Paulo
58. Comunidade Quilombola de Limoeiro – BA
59. Conectas Direitos Humanos
60. Conselho Indigenista Missionário- Cimi
61. Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC
62. Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB
63. Consciência pela Cidadania – CONCIDADANIA
64. Coordenação de Comunidades Quilombolas do Litoral Norte da Bahia
65. Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
66. Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
67. CRESS RJ
68. Criola
69. Diocese Anglicana do Paraná
70. Engajamundo
71. Escola de Governo de São Paulo
72. Espaço Feminista Uri Hi
73. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE-RJ
74. FIAN-Brasil
75. Fórum Cearense de Mulheres
76. Fórum de Direitos Humanos e da Terra Mato Grosso
77. Fórum de Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas
78. Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense – FMAP
79. Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso- FMN-MT
80. Fórum de Saúde do Rio de Janeiro
81. Frente Estadual pelo Desencarceramento – RJ
82. Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
83. Frente Nacional contra Privatização da Saúde.
84. Fundação Grupo Esquel Brasil
85. GAJOP
86. Greenpeace Brasil
87. Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia – GAPA/ BA
88. Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade
e Meio Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (GEDMMA/UFMA)
89. Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades – Demodê/IPOL-UnB
90. Grupo de Pesquisa Repensando as Relações entre Sociedade e Estado – Resocie/IPOL UnB
91. Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA- UFMT
92. Grupo Tortura Nunca Mais – Bahia
93. IMAFLORA
94. Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social Terra de Direitos
95. Instituto Alana
96. Instituto AMMA Psique e Negritude.
97. Instituto Brasil Central –IBRACE
98. Instituto Brasileiro de Ciências Criminais -IBCCRIM
99. Instituto Dakini Movimento e Igualdade
100. Instituto de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – Idhesca
101. Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais – Pólis
102. Instituto de Estudos da Religião – ISER
103. Instituto de Pesquisa e Formação Indígena – Iêpe
104. Instituto Humana Raça Fêmina – INHURAFE
105. Instituto Janus
106. Instituto Palmares de Promoção da Igualdade – IP
107. Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais – IPDMS
108. Instituto Prios de Políticas Públicas e Direitos Humanos.
109. Instituto Pro Bono
110. Instituto Silvia Lane Psicologia e Compromisso Social
111. Justiça Global
112. Juventude comunitária da Federação Matogrossense de Associação Moradores de Bairro
113. Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
114. Luta Popular
115. Movimento e Articulação de Mulheres o Estado do Pará – MAMEP
116. Movimento das Mulheres Negras da Floresta -Dandara
117. Movimento de Defesa da Ilha (São Luís-MA)
118. Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST
119. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST
120. Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua – MNMMR
121. Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia – MNCCD
122. Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
123. Movimento Nacional de Rádios Comunitárias-MNRC
124. Núcleo Lélia Gonzalez
125. Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental (NINJA) da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ)
126. Paz e Esperança Brasil
127. Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil
128. Programa e Assessoria Jurídica Estudantil – P@je
129. Projeto Saúde e Alegria
130. Projeto BrCidades
131. Promotoras Legais Populares de São Paulo
132. Rede Brasileira de Justiça Ambiental
133. Rede de Cooperação Amazônica – RCA
134. Rede Justiça nos Trilhos
135. Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental – REMTEA
136. Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio da Juventude Negra e Periférica – SP
137. Rede Justiça Criminal
138. Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares do Distrito Federal – RENAP/DF
139. Rede Nacional de Colegiados Territoriais –RNCT
140. Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas – RENFA
141. Rede de Panapanã de Mulheres do Noroeste Paulista
142. Serviço de Assessoria Jurídica Universitária – SAJU/ USP
143. Serviço de Paz – SERPAZ
144. Sociedade Comunitária E. S. «Fala NegãoFala Mulher ZLSP
145. Sociedade de Arqueologia Brasileira
146. Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH
147. SOS Corpo Instituto Feminista pela Democracia
148. Terra de Direitos
149. Uma Gota no Oceano
150. Uneafro-Brasil
151. União de Ciclistas do Brasil -UCB
152. União de Mulheres de São Paulo
153. União de Negras e Negros Pela Igualdade- Unegro
154. União de Mulheres de São Paulo
155. União por Moradia Popular do Rio de Janeiro – UMP/ RJ
INDIVIDUAIS:
1. Ana Paula Rech Medeiros
2. Anna Maria Teixeira Nigro Rodrigues
3. Antônia Quitéria da Silva Nascimento
4. Ariovaldo dos Santos
5. Benedito Tadeu César – Cientista político, professor da UFRGS (aposentado)
6. Benjamin Prizendt
7. Cândido Grzybowski – Sociólogo do Ibase
8. Carlos Augusto Picininni, coordenador do Comitê Carlos de Ré da Verdade e Justiça do Rio Grande do Sul
9. Carina Serra
10. Carolina Toledo Diniz
11. Catia Gould
12. Claudius Ceccon
13. Cintia Erica Mariano / Defensora Pública-RJ
14. Erminia Maricato – Professora
15. Daniel Rangel Cabral- Reverendo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro – IEAB
16. Denise Cabral Carlos de Oliveira – Psicanalista/RJ
17. Denise Elisei
18. Douglas Belchior – Professor e militante do movimento negro
19. Fábio Konder Comparato, jurista
20. Fernanda Maria Vieira – professora adjunta da UFJF
21. Gerah Silva
22. Günter Adolf Wolff
23. Iole Iliada, membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo.
24. Jaci Souza
25. João Costa Filho
26. João de Oliveira –Cultural Refavela/CONEN
27. João José Reis – Historiador
28. Jurandir Malerba – Professor Titular de História da UFRGS
29. Kenarik Boujikian – Desembargadora do TJSP
30. Lorena Ornelas
31. Luzania Barreto Rodrigues – Professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco
32. Marco Antônio Santos/Psicólogo-SP
33. Maria Claudia Oliveira de Paiva – PT/SP
34. Maria Eunice Xavier Kalil
35. Maria Fernanda Ramos Coelho
36. Maria Teresa Castilho Mansor
37. Marilda da Rosa dos Santos
38. Maristela Abadia Guimarães -Doutora em Educação/ IFMT
39. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana do Paraná
40. Paolo Colosso
41. Rafael Soares de Oliveira – Dr. Antropólogo e Ogan do Candomblé
42. Ramiro Bier
43. Raul Ellwanger, coordenador do Comitê Carlos de Ré
da Verdade e Justiça do Rio Grande do Sul
44. Roberto E. Zwetsch – professor
45. Sabrina Diniz Bittencourt Nepomuceno – RENAP/SP
46. Simião Maranhão
47. Tania Jamardo Faillace – jornalista e escritora de Porto Alegre, RS
48. Thais Oliveira Bezerra de Sousa
49. Tiago Pinheiro dos Santos de Souza
*ABERTA A ADESÕES

Daniel Santini from Rosa Luxemburg Foundation in São Paulo participated at a conference in Estonia to talk about mobility experiences and free public transport in Brazil
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By Tallinn Development and Training Centre
On the 10th of May, the Tallinn Development and Training Centre in Estonia organized, at the capital’s Cultural Hub, the international conference “Free public transport for all. Dream and reality” to discuss international projects and initiatives regarding this important issue.
The Estonian Minister for Economic Affairs and Infrastructure Kadri Simson and French EMP Karima Delli, Chair of the Committee on Transport and Tourism at the European Parliament, made the opening remarks to the 135 attendees.
Conference attendees also took part in excursions to the TLT (Tallinn Linnatranspordi AS) depot, took a tour of Tallinn and visited Lahemaa national Park.
Photos

The presentations
The free public transport reality
Patrice Vergriete, Mayor of Dunkerque, France presentation 
Lars Isacsson, Mayor of Avesta, Sweden presentation
Detlef Tabbert, Mayor of Templin, Germany presentation
Ana Ujma, advisor to the Mayor of Zory, Poland presentation
Daniel Santini, São Paulo, Brazil presentation

The free public transport dream
Emmanuel Grégoire,  Deputy Mayor of Paris in charge of Budget, Financing and Transformation of Public Policies presentation
Paolo Vergnano, City councillor of Rovereto, Trento, Italy presentation
Boris Palmer, Mayor of Tübingen, Germany presentation
Arturas Zuokas, ex Mayor of City of Vilnius, member of City Council, Lithuania presentation

Emergence of the first free public transport nation

Kadri Simson, Estonian Minister of Economic Affairs and Infrastructure presentation
Taavi Aas, Mayor of Tallinn speech
Kirke Williamson,  Estonian Road Administration Head of Public Transport Department presentation 
Uno Silberg,  Chairman of Kose Municipality Council, member of European Committee of the Regions presentation
Stuart Cole, South Wales University presentation

El Encuentro intercultural Wallmapu-Patagonia, cumbre de organizaciones sociales y territoriales, se realizará los días 26 y 27 de mayo en Panguipulli, donde asistirán diversas representaciones de expresiones vinculadas a  movimientos, redes, articulaciones de economías y defensas territoriales, salud y medios de comunicación independientes  comprometidas con la realidad de la región en la macro zona transfronteriza conocida como “Wallmapu – Patagonia”.
Afiche Final Imagen
Para el equipo facilitador de este encuentro cumbre, el contexto social político y ambiental que se vive en el Wallmapu – Patagonia de conflictos socioambientales y territoriales extractivistas en constante expansión, así como también la denominada “integración” energética impuesta en la región, hacen de este espacio un momento propicio para enfrentar desde las alternativas, la cosmovisión y el arraigo territorial, los perjuicios que los Estados y las empresas generan a través de la realización de proyectos que impactan el ambiente y a las comunidades.
Este encuentro en Panguipulli, Región de los Ríos,  es la continuidad de un proceso que se ha venido gestando con diversas redes y articulaciones que permitieron la realización del encuentro “Territorio y maldesarrollo: Energía, extractivismo y alternativas desde los Pueblos en Argentina y Chile”, realizado en Fiske Menuko y Neuquén (Puelmapu,  Argentina) a fines de agosto y principios de septiembre del 2017.  Asimismo es parte de las resoluciones definidos en el II encuentro de Redes territoriales, realizado en Quellón (Ngulumapu, Chiloé, Chile), los días 3 y 4 de marzo del 2018.
Este primer encuentro Wallmapu Patagonia es facilitado por la Coordinación de Redes Territoriales, El Parlamento Mapuche de Koz Koz y el Observatorio Latinoamericano de Conflictos Ambientales (OLCA).
Ilustración: Pablo Marimán, historiador Mapuche

A «loucura» de Alberto Dines por Stefan Zweig presenteou o Brasil com um museu e um centro de memória do exílio; a «loucura» pelo jornalismo ofereceu alternativas à imprensa – e mais chances à reflexão

Por Astrid Prange, Deutsche Welle

Car@s brasileir@s, por que procurar grandes jornalistas no estrangeiro? O Brasil também tem o seu Joseph Pulitzer ou Egon Erwin Kisch. O nome desse grande repórter, escritor e editor é Alberto Dines. Era um profeta que, 20 anos atrás, já sabia o que o jornalismo de hoje precisava. Ele faleceu na terça-feira, 22 de maio, em São Paulo. É meu mestre brasileiro.
Dines_Foto_JacquelineMachadoA paixão de Alberto Dines pelo jornalismo e pelos seus projetos de vida era contagiante. Na inauguração da Casa Stefan Zweig, em 2004, ele agradeceu no discurso ao «bando de loucos» que estavam dispostos a levar adiante o tributo ao escritor austríaco que ele tanto amava.
A «loucura» de Alberto Dines por Stefan Zweig começou em 1940, quando o escritor austríaco e a sua esposa Lotte visitaram uma escola judaica em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Naquela época, Dines era um menino de oito anos de idade, e o pai dele era um dos líderes da comunidade judaica no Rio. Ele tinha ouvido o nome Stefan Zweig em casa, e por isso ficou atento quando o escritor visitou a escola.
Quando ele soube que esse Stefan Zweig se suicidou, ficou com uma ferida. Começou a se interessar pela obra dele e entrou em sua alma. Virou um profundo conhecedor de Zweig. A ferida cicatrizou somente em 2013 quando ele terminou a biografia Morte no paraíso – A tragédia de Stefan Zweig.

«O analista só deu alta para ele quando o livro foi publicado», contava a esposa de Dines, Norma Curi, para amigos. «Enquanto ele estava escrevendo a biografia, tinha sempre mais um homem na nossa cama: Stefan Zweig», brincava ela. Trabalho constante e doces austríacos pelo menos ajudaram a acalmar o ânimo do Alberto Dines, que adorava o famoso «Apfelstrudel».

A «loucura» de Dines por Stefan Zweig presenteou o Brasil com um museu e centro de memória do exílio na antiga casa do escritor em Petrópolis. A «loucura» pelo jornalismo presenteou o Brasil com inovações jornalísticas.
A inovação pioneira foi a fundação do Observatório da Imprensa. Estabelecer a crítica sistemática à mídia através de uma instituição independente em 1996, num tempo em que nem todos os jornais, rádios e TVs tinham uma presença na internet, foi um ato profético.
Antecipar o discurso de ódio, descrever a concentração e os interesses particulares da mídia brasileira, denunciar informações falsas, contribuir para a autocrítica da imprensa através da criação do «ombudsman», e prever a crise do jornalismo mundial mostram a grandeza de Alberto Dines.
Alberto Dines se foi numa época em que o Brasil mais do que nunca precisa de pessoas que pensem grande. Ele não conseguiu frear a concentração da mídia que ele mesmo descreveu, e o desvio ideológico na mídia que ele observava e que lhe preocupava.
Mas ele quis e conseguiu «oferecer alternativas de pensamentos» – como resumiu certa vez o alcance do Observatório da Imprensa em 2016, 20 anos depois de sua criação. «Pensar grande ou fazer pensar. Se conseguimos isso nessas duas décadas de Observatório, valeu a pena.» Valeu sim! Obrigada, mestre Dines.
 

TV Brasil: Corpo do jornalista Alberto Dines é enterrado em São Paulo

Paixão pela beleza

Por Kristina Michahelles, Jornal do Brasil
Irreverente e irrequieto, Alberto Dines foi multitarefa quando a palavra sequer era moda. Enquanto construía sua brilhante trajetória jornalística, empregou a escrita afiada também para críticas de cinema, livros, biografias. Dines iniciou a carreira de escritor solo em 1972 com um volume de contos, Posso? (ed. Sabiá). Um ano depois, dá os primeiros passos como biógrafo com Érico Veríssimo, publicado pela Editora Jornal do Brasil. Em 1974, sai o livro que deveria ser leitura obrigatória para todo estudante de jornalismo, O papel de jornal (Ed. Artenova), sucessivas vezes reeditado com acréscimos.
Mas sua obra mais importante é o minucioso Morte no paraíso, a tragédia de Stefan Zweig, de 1981, cuja quarta edição saiu pela Rocco em 2012. Traduzida para o alemão por Marlen Eckl, é referência no mundo inteiro de estudiosos do escritor austríaco que se suicidou no Brasil em 1942. Entender Stefan Zweig, sua obra, seu tempo e seu gesto final foi uma obsessão tão grande na vida de Dines que ele só recebeu alta da psicanálise quando o livro saiu do prelo.
Durante seu tempo de correspondente em Lisboa, a inquietação intelectual de Dines o fez mergulhar na vida de outro personagem, Antônio José da Silva, o Judeu. Vínculos do fogo (Cia. das Letras, 1992) mereceu o Jabuti de Estudos Literários em 1993. Por último, um livro menos lembrado, que traça os rumos de uma família de tesoureiros de reis desde o século XII: O baú de Abravanel: uma crônica de sete séculos até Silvio Santos. As obras coordenadas e organizadas por Dines são tão numerosas que o historiador Fábio Koifman teve dificuldade em listá-las no livro Ensaios em homenagem a Alberto Dines, que as Edições de Janeiro lançaram em 2017 por ocasião de seus 85 anos.
Sua última obra não é de papel, e sim de pedra: a Casa Stefan Zweig, pequeno museu encravado na Rua Gonçalves Dias 34, em Petrópolis, na última morada do escritor austríaco e de sua segunda mulher, Lotte, inaugurado em 2012. Convivemos ao longo dos últimos 12 anos em torno do seu alter ego. Cético com os rumos do mundo, como Stefan Zweig, Dines nos legou o mesmo humanismo, o entusiasmo pela verdade e a paixão pela beleza.
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Foto: Jacqueline Machado