Kritische Debatten über grenzenlosen Kapitalismus in Moskau und Almaty (Kasachstan)

Von Gerhard Dilger und Roland Kulke*
 TTIPUm Demokratie und soziale Rechte geht es bei den derzeitigen Versuchen, neue Wirtschaftsräume in verschiedenen Teilen der Welt zu etablieren, am allerwenigsten. Geopolitische Aspekte dagegen spielen eine große Rolle.
So könnte das Fazit zweier Tagungen lauten, die die Büros Moskau und Brüssel der Rosa-Luxemburg-Stiftung Ende Mai mit lokalen PartnerInnen in Russland und Almaty/Kasachstan organisierten. Dabei wurde ein weiter Bogen von der Transatlantischen Handels- und Investitionspartnerschaft TTIP zur neu gegründeten Eurasischen Wirtschaftsunion EAWU (Armenien, Kasachstan, Russland, Kirgisistan und Belarus) geschlagen – in Almaty, unweit der Nordwestgrenze Chinas, sogar bis zur „neuen Seidenstraße“.
Gastgeber

Gastgeber in Moskau: Boris Kagarlitskij und Tiina Fahrni (RLS)

TTIP, meist irreführend als Freihandelsabkommen bezeichnet, solle eine Art „Wirtschafts-NATO“ (Hillary Clinton) werden, ein Verbund, der sich gegen Moskau, ja gegen die BRICS-Staaten richtet, warnte Florian Horn (RLS Brüssel). Das Pendant im Fernen Osten, die geplante Transpazifische Partnerschaft TPP, lasse China außen vor. Angesichts einer immer unbedeutenderen Welthandelsorganisation WTO versuchten die USA und die EU mit diesen „Partnerschaften“, weltweit Spielregeln im Sinne der Kapitalinteressen zu etablieren. Der dritte Baustein ist TISA, das Abkommen über den Handel mit Dienstleistungen, das derzeit verhandelt wird.
Die aggressive neoliberale Agenda aller drei Projekte zielt auf Deregulierung, Investorenschutz und Sozialabbau – bis hin zur kommunalen Ebene, wie die Landtagsabgeordnete Kerstin Kaiser am Beispiel Brandenburg aufzeigte. Würden künftig Ausschreibungen der Konzernlogik unterworfen, bliebe nicht mehr viel Platz für Selbstverwaltung und Demokratie. Schon jetzt sei ein Profitinteressen der Großkonzerne und neoliberalen Ideologien geschuldeter Übergang von der „positiven“ zur „negativen“ Integration im Rahmen der EU festzustellen, analysierte der Bundestagsabgeordnete Andrej Hunko – mit deutlichen Verschlechterungen bei sozialen Standards, beim Verbraucher- und beim Umweltschutz.
Neben den kritischen Debatten um TTIP kamen auch die Kehrseiten der Wirtschaftsräume im russischen Raum zur Sprache: Die Philosophin Alla Glinchikova geißelte „neostalinistische“ Tendenzen im liberalisierten Bildungswesen. Dmitrij Jakushev von der russischen Konföderation der Arbeit berichtete über die erschwerten Bedingungen für Gewerkschaftsarbeit. Am Beispiel Kasachstans und Russlands schilderte Madina Nurgalieva den prekären Zugang von MigrantInnen zu den Gesundheitssystemen. „Auf den über 1000 Seiten des EAWU-Vertrags kommt das Thema soziale Gerechtigkeit schlichtweg nicht vor“, sagte die kasachische Politologin.
SultanowUmso mehr steht der Ausbau von Verkehrswegen ganz oben auf der Agenda: An der deutsch-kasachischen Universität, wo das Seminar stattfand, gehört der Logistik-Magister zu den begehrtesten Abschlüssen. Denn an den Rohstoffen des Riesenlandes sind nicht nur Russland und China interessiert, sondern auch Deutschland.
 *Die Autoren referierten über die Gefahren von „Frei“handelsabkommen für die Ernährungssouveränität in Lateinamerika (Gerhard Dilger) bzw. über Deep Integration (Roland Kulke, RLS Brüssel)

Graphik: flickr Angula Berria

Enquanto Brasil avança com redução da maioridade penal, o Uruguai discute medidas de punição alternativas ao encarceramento de adolescentes 
 Por Daniel Santini

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Placa de trânsito em Salto, no interior do Uruguai. Foto: Daniel Santini


Na última quinta-feira, 19 de agosto, no Congresso Nacional do Brasil 320 deputados federais votaram em favor de aprisionar adolescentes junto com adultos no sistema penitenciário. A medida havia sido rejeitada pela Câmara dos Deputados no dia anterior, mas acabou colocada em votação novamente graças ao presidente da casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em manobra classificada como golpe pela oposição. Aprovada com apoio massivo das bancadas do PMDB e do PSDB, a Proposta de Emenda Constitucional 171/1993 foi encaminhada para o Senado Federal, onde também precisa ser aprovada antes de virar lei. Por conta de sua posição determinada em favor da redução da maioridade penal, Cunha tem sido chamado de o inimigo número 1 da juventude.
No mesmo dia em que a proposta de prender adolescentes avançou no Brasil, no Uruguai acadêmicos, autoridades e especialistas reuniram-se no Congresso Nacional para debater medidas alternativas à privação de liberdade de jovens. O encontro abriu espaço para a discussão para outras possibilidades de se punir e reparar infrações. «O que se quer não é simplesmente castigar quem errou, é reabilitar, reintegrar. A adolescência é um período de vulnerabilidade e de potencialidade, no qual se abre a possibilidade de ajudar os jovens a se transformar. A privação está longe de provocar um impacto positivo», apontou o italiano Paolo Mefalopulos, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no país, durante a abertura do evento.
Ele destaca que, enquanto no Uruguai para uma população de 3,5 milhões há 700 adolescentes privados de liberdade em instituições socioeducativas (vinte a cada cem mil pessoas), na Itália para uma população de cerca de 60 milhões são cerca de 300 (1 a cada duzentos mil). «Não significa que os adolescentes italianos são mais bonzinhos ou que a polícia italiana é menos eficiente. Isso indica uma debilidade ao se desenvolver reabilitação e penas alternativas. É evidente que fortalecer os programas alternativas é muito importante e temos que pensar que tipo de pena é necessária. Se nos damos violência em vez de reabilitação, quando um jovem sai é muito mais provável que ele vai recorrer à violência e reincidir». No Brasil, a última estimativa, de 2013, apontava 23,1 mil adolescentes submetidos a regimes fechados para uma população de 200,4 milhões (cerca de 11 a cada cem mil).
Álvaro Colistro, do Instituto Nacional de Direitos Humanos, também presente à mesa, destacou que todas as normativas internacionais apontam que a privação de liberdade tem que ser o último recurso, e argumentou que elas foram construídas a partir de dados objetivos e concretos. «Não existe medida educativa quando se trata de privação, isso só agrava o problema. É falsa a ilusão de que a falta de segurança será resolvida com prisões», destacou .
Ouça na íntegra em espanhol o debate (o áudio começa a partir de 28 segundos):

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Javier Taks, da Casa Bertolt Brecht, Mary Beloff, advogada especializada no tema, Paolo Mefalopulos, da Unicef, e Álvaro Colistro, do INDDHH, durante audiência no Palácio Legislativo do Uruguai. Foto: Daniel Santini


Seminário internacional
A audiência pública no parlamento uruguaio marcou o encerramento do Seminário Sistema Penal Juvenil, organizado pela Casa Bertolt Brecht com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. De 17 a 19 de  agosto foram realizados debates e reuniões com representantes do poder público, organizações sociais que desenvolvem medidas socioeducativas e integrantes de movimentos sociais que trabalham com o tema, com atividades na capital Montevideo e em Salto, no interior do país.

Passagem dos Direitos Humanos em Montevideo, no Uruguai. Foto: Daniel Santini


Dois especialistas internacionais foram convidados a falar durante o seminário: a advogada argentina e ativista por direitos humanos Mary Beloff, mestre pela universidade de Harvard (Estados Unidos) e doutora pela de Buenos Aires (Argentina), com extensa produção acadêmica sobre direitos da infância; e o advogado chileno Álvaro Castro Morales, mestre pela Universidad Diego Portales (Chile) e doutor pela Universidad Ernst- Mortitz- Arndt de Greifswald (Alemanha), autor do livro Direitos Fundamentais dos Privados de Liberdade (disponível em PDF em espanhol). Ambos defenderam que a privação de liberdade deve ser utilizada somente quando esgotadas todas as outras possibilidades.
«O que deve ser alternativo é o encarceramento e não as demais medidas. Se vai privar de liberdade é preciso boas razões. A privação é cara, não recupera e não educa», defendeu Mary Beloff, durante a audiência no Congresso Nacional. Ela critica as propostas legislativas e discursos inflamados que apontam como solução para a criminalidade juvenil aprisionar crianças e adolescentes. «É preciso analisar a questão com elementos objetivos e científicos. O que precisamos combater é a sensação de impunidade e não simplesmente trancar todos. As chances de resolver a questão diminuem quando existe o encarceramento».
Advogado chileno Álvaro de Castro Morales na Universidade da República do Uruguai, em Salto. Foto: Daniel Santini

Advogado chileno Álvaro de Castro Morales na Universidade da República do Uruguai, em Salto. Foto: Daniel Santini


Álvaro Castro Morales, por sua vez, fez nos dias 17 e 18 diferentes apresentações longas e detalhadas sobre os diferentes tipos de medidas possíveis, elencando princípios fundamentais do sistema penal juvenil. Defendeu que o mesmo deve ser leve e flexível, e capaz de julgar os atos infracionais de maneira ágil e clara dentro de um prazo razoável. O sistema deve ainda primar por proteger a privacidade do adolescente e ser capaz de oferecer diferentes soluções para diferentes problemas. «Em linhas gerais, a violência juvenil é episódica e simples e a solução envolve a família e a comunidade», argumentou.
Para que tal sistema seja efetivo, ele aponta que é necessária a privação somente como recurso excepcional, a separação de adolescentes dos adultos em todas as etapas, a especialização de todos atores, incluindo policiais e juízes, e a capacitação de agentes do Estado e de organizações sociais envolvidas na execução de medidas socioeducativas.
Sobre o processo penal em si, destacou saídas alternativas baseadas em princípios como os da remissão e oportunidade, em que as autoridades podem abrir mão de seguir com o processo ao avaliar que o ato não fere gravemente o interesse público. Citou ainda a justiça restaurativa, com possibilidades de acordos reparatórios, além de penas como prestação de serviços comunitários e liberdade assistida. Destacou também que, mesmo nos casos de condenação, deve haver a possibilidade de suspensão de penas leves quando não há prognóstico claro indicando que o adolescente deve reincidir.

Entrevistas de Álvaro Castro Morales e notícias sobre o seminário
Brecha – Encerrar el encierro
El Pueblo – “Si a los jóvenes los tratamos como delincuentes se comportarán como tales”
El Observador TV – Jóvenes infractores: «privar de libertad debe ser el último recurso»
El País TV – Experto advierte que el encierro «es más caro y tiene costos sociales»
La Diária – Por la positiva e Cara de expediente
Radio CX30 – Entrevista de rádio con Álvaro Castro

O advogado conversou com especialistas e acadêmicos na Univesidade da República do Uruguai em Salto, no interior, e com integrantes da Comissão No a La Baja (Não à Redução, em português), em debate realizado na Casa Bertolt Brecht (CBB). Jovens na sua maioria, os presentes participaram ativamente da campanha vitoriosa que conseguiu evitar a redução da maioridade penal em plebiscito realizado no Uruguai. Em abril, Verónica Silveira, integrante da CBB e da No a La Baja, esteve no Brasil falando sobre como a campanha foi organizada.

Integrantes da Comissão No a La Baja durante encontro na Casa Bertolt Brecht. Foto: Daniel Santini

Integrantes da Comissão No a La Baja durante encontro na Casa Bertolt Brecht. Foto: Daniel Santini


Tortura e encarceramento
No Uruguai, logo após a a derrota no plesbicito sobre a redução da maioridade, a oposição passou  a pressionar pela ampliação do tempo de internação de adolescentes infratores. No Brasil, o senador José Serra (PSDB-SP) apresentou o Projeto de Lei 333/2015, que segue a mesma linha e prevê que o tempo máximo de internação passe de três para dez anos. O projeto ganhou o apoio tanto de conservadores, que apoiam a proposta como uma alternativa para o caso de a PEC 171 não ser aprovada, quanto pelo Governo Federal, que vê na medida uma saída para evitar a redução da maioridade. A presidenta Dilma Rousseff (PT) já se posicionou contra a redução da maioridade, mas a favor de aumentar o tempo de internação.
Durante o seminário no Uruguai, além de ressaltar que a prisão deve ser considerada a última das medidas a ser adotada, os especialistas internacionais ressaltaram que o tempo dos adolescentes é diferente e que, por isso, a privação de liberdade deve ser limitada. Todos são unanimes em apontar que as chances de recuperação diminuem com penas prolongadas.
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Pixação faz referência ao flagrante de tortura em unidade de internação. Texto pintado diz: SIRPA = tortura. Foto: Daniel Santini


O destaque que o debate sobre medidas alternativas promovido pela Casa Bertolt Brecht ganhou na imprensa local, com TVs, rádios e jornais acompanhando as discussões, está relacionado também à crise que atravessa o Sistema de Responsabilidade Penal de Adolescentes (SIRPA).
Acusações de maus tratos e torturas em unidades de internação estão em foco desde o ano passado, quando o Comitê contra a Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU) apontou problemas graves. As críticas foram endossadas pela relatora da Comissão de Direitos Humanos da Criança da ONU, Sara Oviedo, e pela representante da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos OEA, Rosa María Ortiz.
Em agosto, o vazamento de um vídeo com flagrante de funcionários do Instituto da Criança e do Adolescente (INAU) espancando adolescentes acirrou a discussão sobre o encarceramento de adolescentes e deu força para os que defendem medidas alternativas. No Brasil, violações contra os direitos de crianças e adolescentes ainda são comuns no sistema socioeducativo.

Veja o vídeo:

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Trade Unions for Energy Democracy is a global, multi-sector network of labor leaders dedicated to advancing democratic direction and control of energy in a way that promotes solutions to the climate crisis, energy poverty, and the degradation of both land and people and that responds to attacks on workers’ rights and protections.
One of the goals of this initiative is to advance a better understanding of what “energy democracy” can mean to the labor movement. To this end, the initiative has published already four working papers and recently an animated video.
Now you can also download free educational material consisting of a Poster and a Fact Sheet.

 
EDUCATIONAL MATERIAL ABOUT ENERGY DEMOCRACY
Trade Unions for Energy Democracy
Rosa Luxemburg Foundation, New York Office
June 2015

On the economic valuation of nature
By Jutta Kill
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‘Nature is destroyed because it’s invisible to politicians and business’, advocates of economic valuation say. The implicit assumption: Create a ‘nature that capital can see’ and the loss of biodiversity will be stopped. But it isn’t that simple!
Possibly far-reaching changes in perception and subtle changes to legal principles will go hand-in-hand with creating a ‘nature that capital can see’. Abundant absurdities are coming to the fore in the attempt to turn the web of life into neatly packaged, measurable and comparable ‘ecosystem service’ units. They deserve exploring.
This brochure takes up arguments put forth in the debate about a new economy with nature. It shows that the political question is not whether economic valuation automatically involves putting a ‘price tag on nature’, but if it encourages pricing in practice. Sadly, the early examples of what ‘trading in environmental services’ looks like in reality already provide sufficient reason for saying ‘No’ to more of the same.
 
Climate action days in Germany
In view of this year’s UN Climate Conference in Paris many activists will be protesting from mid-August in Germany, deploring the climate-damaging mining of lignite. They stress that the coal- and lignite lobby keeps on trying to slow down the so much needed energy transition. In the run-up to the actions days various workshops are being organised on topics like climate, energy and alternatives.

Economic Valuation of Nature. The Price to Pay for Conservation? A critical exploration

Author: Jutta Kill

Rosa Luxemburg Foundation, Brussels Office

August 2014

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This brochure is also available in German.

Por Sam Gindin y Leo Panitch
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Piense en una fábrica en la que los propietarios de la empresa han tratado con dureza e injustamente a sus trabajadores, mientras los dirigentes sindicales no hacían nada o incluso eran cómplices. Muchos de los trabajadores de esa fábrica han resistido, han parado la producción un par de horas y ocupado una sección de la fabrica varios días.
Finalmente, para negociar un nuevo convenio colectivo, los trabajadores eligen a un nuevo comité de empresa con mayoría de un sindicato radical. Las negociaciones se prolongan durante muchos meses y, en última instancia, los dirigentes sindicales piden que se vote la huelga y obtiene un abrumador apoyo.
Vuelven a la mesa de negociaciones esperando que ese nuevo mandato va a cambiar la actitud de la patronal, y lo hace – pero no como el sindicato esperaba. Por el contrario, los patronos dicen: «Bueno, eso es todo; vamos a  cerrar la fábrica. Es evidente que a pesar de todos nuestros esfuerzos estos últimos años, los trabajadores nunca serán lo suficientemente disciplinados como para generar beneficios».
Ante el cierre inminente y preocupados por los empleos de sus afiliados, la nueva dirección del sindicato de mala gana firma el nuevo convenio colectivo que incluye cláusulas aún más dura que antes. No intentan endulzar lo ocurrido: «Es un mal acuerdo, pero mantienen abierta la fábrica».
Aunque la nueva dirigencia sindical sigue siendo popular, muchos afiliados están molestos, gritan «traición», se concentran delante de la oficina del sindicato, y exigen que se ocupe la fábrica y sea dirigida por el sindicato.
Los dirigentes sindicales dicen que no va a funcionar: dejando a un lado la posibilidad de que los propietarios de la fábrica llamen a la policía, existe el problema de los contratos cancelados, la falta de fondos de inversión para reconvertir la fabrica para otras líneas de producción más viables, etc….
«Todo lo que podemos hacer», dicen, «es resistir, con la esperanza de conseguir más apoyo solidario la próxima vez de los trabajadores de otras plantas de la empresa, y tratar de extender la negociación colectiva a todas las plantas. No vamos a vender este acuerdo como una victoria. En su lugar, vamos a seguir luchando a partir de él, recoger la mayor cantidad de reivindicaciones que podamos, e intentar conseguir el trabajo reglamentado».
 
La realidad
Las analogías son siempre limitadas. Grecia es, después de todo, un estado independiente que controla teóricamente el destino de su economía. Sin embargo, lo que hace que la analogía anterior sea adecuada es que el gobierno radical de SYRIZA fue elegido en enero 2015 sobre la base de su promesa de tratar de negociar un mejor acuerdo que la dura austeridad neoliberal impuesta a través de los memorandos firmados por los gobiernos anteriores.
Al mismo tiempo, se comprometió a permanecer en el sistema monetario de la zona euro, en la que está integrado el sistema financiero de Grecia, así como en el marco de la Unión Europea, de la que su economía es parte. La elección del nuevo gobierno estaba condicionada al cumplimiento de estas dos promesas simultáneamente, y las negociaciones que había comenzado eran una prueba de la compatibilidad de estas dos promesas, como fue el referéndum de 5 de julio que convocó y ganó de manera aplastante después de cinco meses de negociaciones infructuosas.
Las acusaciones de traición que están siendo formuladas contra los dirigentes SYRIZA actualmente se basan en que han firmado el nuevo y durísimo memorándum. Pero en la medida en que este memorándum se impuso sobre la base de la amenaza de expulsar a Grecia de la zona euro y dejar a su sistema bancario sin apoyo, la afirmación de que el primer ministro Alexis Tsipras «capituló» implica que había una alternativa viable a partir de una salida inmediata de la zona euro («Grexit») que el gobierno podría haber llevado a cabo.
Las condiciones políticas que harían inmediata viable un Grexit no existen en la actualidad. Aquellos que insisten en que estas condiciones políticas fueron creadas por el resultado del referéndum, se equivocan.
La última encuesta, realizada por Análisis Palmos, una empresa con buena reputación, entre el 15 y el 17 de julio muestra que, incluso teniendo en cuenta la dureza del nuevo memorándum, el 74% de los griegos continúan apoyando la permanencia en el euro – y esto incluye al 66% de los partidarios de SYRIZA. Al menos un 42% de los encuestados después de la firma del nuevo memorándum indicó que votaría a SYRIZA hoy, un aumento sustancial por encima del 36% que lo hizo en las últimas elecciones. Esto le da a SYRIZA una ventaja de más de un 20% por encima de Nueva Democracia, que está en segundo lugar, y produciría una clara mayoría de 165 escaños en el parlamento griego.
Dada su enorme popularidad, Tsipras hubiera podido, con una campaña entusiasta, tratar de aumentar el apoyo para salir del euro, pero incluso conseguir una mayoría ajustada para volver al dracma requeriría más que duplicar el apoyo actual a una salida del euro, que se sitúa en sólo el 24%. Tsipras siempre ha dejado muy claro que él – y esto se aplica a la mayoría de la dirección del partido a todos los niveles – sólo iría tan lejos como los europeos se lo permitiesen. Fue elegido sobre esta base y convocó el referéndum sobre la misma base.
Los que ahora le acusan por no haber cambiado de opinión y haber hecho lo contrario están admitiendo efectivamente que deberían haber apoyado al Partido Comunista Griego ( KKE ) o a Antarysa desde un comienzo, en lugar de respaldado con gran entusiasmo la elección de SYRIZA.
La credibilidad de Tsipras se basa en su insistencia – la antítesis de un dirigente sindical que vende concesiones como una victoria y por lo tanto esta haciendo el trabajo sucio de la empresa – que el acuerdo es malo. Lo presenta como el resultado de una imposición de la Troika, y sobre todo de Alemania, no sólo a él, sino al pueblo griego.
Como él mismo explicó al Parlamento griego el 22 de julio:

“Hemos elegido un compromiso que nos obliga a poner en práctica un programa en el que no creemos, y vamos a ponerlo en práctica porque las alternativas son difíciles. Estamos convocados hoy a legislar en un estado de emergencia. El objetivo de la presencia de la izquierda en este gobierno no es el poder por el poder, sino que se trata de un bastión desde el que luchar por los intereses de nuestro pueblo. Y en lo que a mí respecta, no voy a abandonar este bastión, al menos por mi propia voluntad”.

También hay que decir que los defensores de un Grexit inmediato de la Plataforma de Izquierda no son muy convincentes. Asumen que las instituciones estatales existentes podrían ser fácilmente doblegadas a voluntad del gobierno, para no hablar de su capacidad para aplicar dicho plan.
E incluso si el plan para el Grexit de la Plataforma de Izquierda se aplicase de manera eficiente, lo más probable es que causase dificultades transitorias severas durante un período de tiempo más prolongado que lo que los defensores del plan dicen. Cualquier alternativa seria tendría que considerar las consecuencias políticas de esta, sobre todo si tiene el efecto de alienar a los seguidores de SYRIZA.
 
Posibilidades
Aquellos que – como nosotros – creen que con el tiempo será necesario dejar la zona euro debe reconocer que no se puede hacer inmediatamente. Hay que crear las condiciones para que sea posible, y esto significa tiempo para prepararse para la salida.
El apoyo continuado a Tsipras sugiere que hay tiempo para abordar las transformaciones necesarias dentro del estado, y planes creativos para tanto mantener la confianza en el gobierno como para permitir a la gente aprender orgánicamente por qué tienen que ir más allá de los límites de la integración en la Europa neoliberal.
La mayoría de los que ahora apoyan a Tsipras no proponen simplemente esperar a que las instituciones europeas sean «mejores». Entienden la lucha en términos de un internacionalismo de manera que cada país se sume a los «pequeños incendios» que SYRIZA ha iniciado y que acabarán por cambiar la Unión Europea. Otros ven la necesidad de una ruptura, pero quieren un plan mucho más elaborada y amplio para una transición económica que el que la Plataforma de Izquierda ha avanzado.
El problema central es que incluso los planes más detallados que se están proponiendo  se presentan como un conjunto de políticas alternativas, pero que en realidad implican una revolución política inmediata. No son capaces de establecer si esto es posible dado el equilibrio de fuerzas en el interior de Grecia, como se refleja en la mayoría de las recalcitrantes instituciones del propio Estado, así como por la continua preferencia de la gente de continuar en  el euro. Lo que se necesita en el momento presente es un análisis político concreto, en lugar de una respuesta técnica a un problema político.
Lo mejor que se puede esperar en este momento es el desarrollo de una mayor claridad, incluso entre aquellos que en SYRIZA entienden la necesidad de una ruptura, y el reconocimiento de que esa ruptura deberá ir más allá de una simple ruptura con el euro: que debe ser una ruptura con la Unión Europea como una zona de libre comercio y libre capital neoliberal.
El Plan B de la Plataforma de Izquierda es incapaz de abordar estos dos imperativos juntos. Por otra parte, el hecho de que se presenta como un conjunto de políticas que podrían imponerse con facilidad desde el pináculo del estado refleja lo que a los activistas más politizados de los movimientos sociales y a los cuadros más creativos dentro del partido no les gusta del enfoque estratégico de arriba hacia abajo de la Plataforma de Izquierda.
Como ya hemos argumentado, se necesita un verdadero plan B que debe ser diseñado con todo esto en mente, y que tendría que incluir un plan político para mejorar tanto las capacidades del partido y el gobierno para mejor contemplar, y poder llevar con éxito, semejante ruptura tanto desde el Estado como de la sociedad.
La presión constructiva al gobierno de SYRIZA debe orientarse a presionar a Tsipras para que se inaugure esta nueva etapa, vinculando activamente al gobierno y al partido con las redes de solidaridad, con el objetivo de enraizarlas y ampliarlas en cada comunidad en Grecia.
La verdadera prueba que SYRIZA tiene por delante será su capacidad de hacer esto, trascendiendo así sus divisiones actuales, incluyendo las acusaciones de traición contra el gobierno Tsipras, por una parte, y los intentos de marginar a los partidarios de la Plataforma de Izquierda, por la otra.
Reducir la presión de la izquierda sin duda socavaría una garantía fundamental a la hora de evitar que el gobierno de SYRIZA se convierta en algo indistinguible de los principales gobiernos socialdemócratas de toda Europa. Sin embargo, una proporción mucho mayor de la coalición que la que representa la Plataforma de Izquierda, incluyendo el grupo parlamentario e incluso el gabinete, está decidida a que esto no suceda.
Al mismo tiempo, nadie debe ver la derrota del gobierno Tsipras o una escisión dentro del partido como una «oportunidad» para la izquierda. Sería un desastre del que se beneficiaría sobre todo la derecha política, incluidos los fascistas.
La gravedad de los temas que están implícitos requieren que la izquierda internacional aborde seriamente las ignotas complejidades de cualquier estrategia socialista democrática en el actual contexto neoliberal global. Ningún partido de izquierda que llegue al gobierno sea donde sea  en la actualidad es poco probable que sea tan radical como nos gustaría.
¿Cuál es la responsabilidad de la izquierda socialista en estas circunstancias concretas? Habrá decepciones; los logros, en el mejor de los casos, serán parciales, vulnerable a retrocesos; y habrá una vez más intentos renovados para conseguir encontrar el camino. En última instancia, sabemos poco sobre que hacer en esta situación.
Los debates dentro de la izquierda son absolutamente esenciales, pero deben llevarse a cabo sin postureos revolucionarios fáciles, y con la necesaria modestia: nadie tiene respuestas fáciles en este momento difícil y complejo.
 
 
Leo Panitch es editor del Socialist Register, famoso y ya clásico anuario de la izquierda anglosajona, y profesor investigador de Ciencias Políticas en la Universidad de York, en Canadá. Sam Gindin trabajó como investigador y economista de los sindicatos del automóvil canadienses. Veterano colaborador de Panitch, es coautor con él de «The Making of Global Capitalism: The Political Economy of American Empire» (Verso).
Traducción para Sinpermiso: Gustavo Buster